Daniel Galera (São Paulo13 de julho de 1979) é um escritor e tradutor literário brasileiro. Foi um dos precursores do uso da internet para a literatura, editando e publicando textos em portais e fanzines eletrônicos entre 1997 e 2001. Foi um dos convidados da segunda edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), em 2004. Já traduziu 13 livros, predominantemente das novas gerações de autores ingleses e norte-americanos. Publicou até então quatro livros, além de ter participado em algumas antologias de contos.“Até o dia em que o cão morreu” é uma das boas obras do autor e que será o objeto a ser resenhado.

Até o dia em que o cão morreu é um romance retrata a vida de um jovem que se muda para um apartamento em Porto Alegre e que mesmo sendo apoiado financeiramente pelo pai tenta ser independente fazendo “bico” de tradutor freelancer. Sua rotina é essencialmente melancólica, solitária e cheia ritos cotidianos, como observar a vida da janela, passando como uma viagem daquelas que vemos em filmes. Tudo então muda quando o jovem se depara com duas inesperadas criaturas: o tal cão do título, que aparece em sua porta e uma jovem modelo chamada marcela.


O livro possui uma excelente abordagem e escrita, uma linguagem honesta e sensata, sem exageros ou superficialidade, é como se tudo estive escrito no momento exato, um ponto em que alguns amigos que também já leram concordam. É perceptível a particularidade narrativa de expor duas questões comuns a nós humanos, de nos metermos privados de certas situações, entretanto, não despir nossas emoções e mantê-las estáveis e a possibilidade de mergulharmos a fundo em afetos, mas sabendo que a emoções tem suas consequências.

Confesso que me identifico bastante com a vida do jovem protagonista, pois assim como ele me mudei para um apartamento, contando com o apoio do meu pai, tentando a tão sonhada independência plena e que desde então encontro desafios inesperados da vida. Evidentemente essa identificação me fez gostar da trajetória que aqueles parágrafos me conduziam e me faziam envolver, uma boa estranha sensação de como se eu estivesse lendo algo sobre mim, escrito por alguém que não me conhece. Logo nas primeiras páginas a maneira peculiar em que Daniel Galera cria a metáfora de um novo ser humano surgindo das costas do personagem, onde ele começa a sentir fortes dores, clamando por socorro e percebe que talvez precise mais dos seus amigos e familiares por perto, ou seja, podemos interpretar como uma mudança pessoal caminhando a solidão. É claro que não posso generalizar e dizer que tudo que está no texto me identifico, mas grande parte sim.

Se você possui uma visão sensível em leituras que nos apresenta com clareza o verossímil, essa obra com certeza é uma das que não podem ser deixadas de ler.

É importante lembrar que o livro foi adaptado para o cinema no ano de 2007, chamado “Cão sem dono” dirigido por Beto Brant. Ao lado você pode conferir o Trailer do filme Cão sem dono

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